VIFF 2020 – Last and First Men, Siberia e Undine

Esse é o primeiro post de cobertura do Festival Internacional de Vancouver 2020. Nessas últimas semanas vimos e (revimos) alguns dos filmes presentes no festival. Alguns comentários a respeito de: Siberia, de Abel Ferrara; Undine, de Christian Petzold. Last and First Men, de Jóhann Jóhannsson.

Willem Dafoe em Sibeira (2020), de Abel Ferrara


Siberia, o novo filme de Abel Ferrara, trabalha através do inconsciente do artista uma viagem entre criador e criatura. A escolha de sua estrela não poderia ser mais simbólica e certeira: DaFoe é o muso atual de Ferrara e isso intensifica a jornada assistida já que o ator interpretou um arquétipo do diretor em Tommaso e esteve fortemente presente nos seus longas mais recentes. Embora um pouco maçante e denso em alguns momentos, a mão firme de Ferrara nunca deixa o filme cair num território inacessível ou menos interessante. O diretor navega entre as concepções e metáforas sobre o processo de criar e da arte como um todo tentando reconhecer em Siberia sua própria filmografia e obra. – Pedro Cardote

Franz Rogowski em Undine (2020), de Christian Petzold

Paula Beer e Franz Rogowski se encontram novamente na fábula Undine, de Christian Petzold. Uma das coisas mais interessantes em seu cinema, destaque em seu último filme Transit (2018), é como Petzold fecha uma redoma em torno de seus personagens mas não os limita completamente. É como se ele tivesse total controle da vida desses personagens, mas ao mesmo tempo eles vivessem fora do ecrã, longe das câmeras. A graça de algo tão paradoxal assim está justamente no mistério, naquilo que jamais saberemos a solução. Em Undine, o imaginário e o real se cruzam, assim como a memória do passado e do presente. Ficamos cada vez mais perdidos no conto dos dois apaixonados, nos olhos misteriosos de Paula Beer, na estranha sensação de iminência. Um sonho não decodificável de um bom flerte entre fantasia e realidade. – André Luis

Last and First Men (2020), de Johann Johannsson.

À medida que a Croácia se torna mais conservadora, muitos monumentos construídos na era comunista para homenagear as vítimas do regime fascista de Ustasa do país, na década de 1940, ou da vitória das forças partidárias iugoslavas sobre o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial – que era conhecida como Guerra de Libertação Popular durante o período comunista iugoslavo – estão sendo deixados para apodrecer ou se tornarem presas de vândalos. O artigo escrito para a Balkan Insight ajuda a entender historicamente a meditação de Jóhann Jóhannsson sobre a vida humana, Last and First Men. Tilda Swinton, juntamente com a trilha de Jóhann, reflete sobre a materialidade das coisas, sobre a eternização humana na imagem pela linguagem belíssima do sci-fi. Falecido em 2018 em Berlim, Jóhann deixa um legado de composições magníficas, atmosféricas e transcendentais. Seu primeiro filme, e infelizmente seu último, é um bela representação de seu jeito de enxergar a vida. – André Luis

Continuem ligados no Noite de Oscar para a cobertura completa do VIFF 2020.

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