TIFF 2021 | 7 Prisioneiros, The Survivor e Tre Piani

O Festival de Toronto foi lotado de longas intrigantes e o Noite de Oscar amou a oportunidade de assisti-los e comentar sobre eles aqui. Estamos muito gratos ao festival e ao apoio de vocês.

Finalizando a nossa cobertura, alguns comentários sobre os seguintes filmes: 7 Prisioneiros, de Alexandre Moratto; The Survivor, de Barry Levinson; e Tre Piani, de Nanni Moretti.

7 PRISIONEIROS (Alexandre Moratto)

© Cortesia do TIFF

Para levar uma vida melhor para sua família no país, Mateus (Christian Malheiros) , de 18 anos, aceita um emprego em um ferro-velho em São Paulo para seu novo chefe, Luca (Rodrigo Santoro). Mas quando ele e alguns outros meninos ficarem presos no mundo perigoso da escravidão contemporânea, Mateus será forçado a decidir entre trabalhar para o próprio homem que o escravizou ou arriscar o futuro dele e de sua família.

7 Prisioneiros é provavelmente o novo representante chave do Brasil para a categoria de filme estrangeiro. Isso fica claro não apenas quando pesquisamos seus produtores, Fernando Meirelles (“Cidade de Deu”s, “Os Dois Papas”) e Ramin Bahrani (“O Tigre Branco”), como também quando testemunhamos a falta de sensibilidade com que o filme aborda as suas discussões. Os críticos estrangeiros comemoraram o novo filme de Alexandre Moratto com seus jargões clássicos: “brutal”, “realista”, etc. Toda essa perfumaria barata, utilizada desde os tempos da carochinha para domesticar o cinema brasileiro e deixa-lo preso na mesma caixa barata e derivativa.

Em seus 93 minutos, o filme até possui a intenção de um bom suspense, algo a par das atuações de Malheiros e Santoro. No entanto, para chegar nisso, o filme toma a rota mais fácil: sequências de tortura física e psicológica, numa tentativa desesperadora de gerar empatia, e uma ambiguidade moral artificializada para tentar esconder a essencialização de personagens, para que alguns bradem por aí o quão “importante” esse filme é. Não rolou para mim, mas com certeza vai rolar para quem está necessitado do milésimo filme gerado por algoritmo lotado de “discussões” necessárias.


THE SURVIVOR (Barry Levinson)

© Cortesia do TIFF

A história de Harry Haft (Ben Foster), um boxeador que lutou contra outros prisioneiros nos campos de concentração para sobreviver após a segunda guerra mundial. Assombrado por memórias e pela culpa, ele tenta usar lutas de alto nível contra lendas do boxe como Rocky Marciano como uma maneira de encontrar seu primeiro amor novamente.

“The Survivor” marca o retorno de Barry Levinson ao cinema. Contando a história de um lutador que sobreviveu ao holocausto e como isso afetou sua vida e relações, o filme possui boas atuações de Bem Foster e Vicky Krieps. Ben jamais deixa seu trabalho ser afetado ou somente coexistir com o de sua maquiagem. Existe uma criação de personagem muito bacana por parte do ator e Vicky Krieps também mostra seu talento ao lado do ator e serve como um bom contraponto ao lutador agressivo.  

O filme transita entre uma biografia oscar-bait com diversos elementos conhecidos e um drama sobre holocausto. Isso resulta em um longa sem o mínimo de tato ou sensibilidade já que o diretor não consegue lidar com esses elementos e não consegue encontrar uma boa junção entre ambos. Soltos eles não funcionam, unidos eles parecem piorar. Nem mesmo um elenco afiado consegue salvar “The Survivor”. Um filme com uma história promissora, mas que torna-se intragável graças a abordagem insossa de Barry Levinson.


TRE PIANI (Nanni Moretti)

© Cortesia do TIFF

O filho incorrigível de dois conceituados juízes (Moretti e Margherita Buy), Andréa (Alessandro Sperduti) mata uma pedestre enquanto desvia para evitar bater em Monica (Alba Rohrwacher), que está entrando em trabalho de parto e indo desesperada para o hospital. Andréa acaba batendo com o carro na sala de Lúcio (Riccardo Scamarcio), que em breve enfrentará sua própria provação quando sua filha desaparece aos cuidados de um vizinho idoso. Cada um desses personagens habita o mesmo complexo de apartamentos em Roma. Os anos passam, os caminhos se cruzam, os enredos ficam mais densos, uma geração se sucede à outra. Feridas psíquicas profundas e ambiguidades enlouquecedoras persistem. Só gradualmente, depois de muita turbulência e perdão, as verdades finalmente virão à luz.

Praticamente massacrado em Cannes, o novo de Nanni Moretti me agradou bastante. São três tramas teoricamente paralelas, porém que o filme se diverte muito tentando unir. Seja por junta-las plasticamente no mesmo cenário, ou por uni-las por uma montagem extremamente transparente, tudo parece tão juntinho que não entendo como alguém não consiga ficar próximo dele também. O elenco está maravilhoso, principalmente Margherita Buy, absolutamente deslumbrante como uma mãe dividida entre seu filho e marido.

É meio difícil comentar sem revelar partes fundamentais da trama, mas “Tre Piani” demonstra, crítica, defende e até tira sarro dos mais diversos comportamentos humanos. Vi alguns comentários dizendo que o filme é “frio” e “desconectado” de suas personagens e motivações. Não poderia discordar mais. Moretti evoca sentimentos, sem o mínimo de esforço, de onde muitos não conseguiriam. É muito difícil não se emocionar com o que ele faz com as mães aqui, um retrato digníssimo da maternidade.

A sequência final é de encher o coração: ecoando Fellini, é facilmente uma das minhas favoritas do ano.


👍


A nossa cobertura completa do festival pode ser conferida aqui. Fique ligado em nossas redes sociais para mais notícias!

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