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The Power of the Dog – Crítica | TIFF 2021

Novo filme da Netflix, The Power of the Dog é uma grande demonstração da maestria de Jane Campion em harmonizar o caos.

Kodi Smit-McPhee em The Power of The Dog (2021)
© Netflix

The Power of the Dog faz parte da seleção oficial do TIFF 2021. Para acompanhar nossa cobertura completa do festival, clique aqui.

Adaptado do livro de Thomas Savage, The Power of the Dog (que recebe o título nacional de Ataque dos Cães) é o novo filme da diretora neozelandesa Jane Campion. O longa narra a história de dois irmãos e as intrigas que os cercam após a chegada de uma viúva e seu filho no núcleo deles. Estrelado por Benedict Cumberbatch, Kirsten Dunst, Kodi Smit-McPhee e Jesse Plemons, o novo longa da Netflix estreou no Festival de Veneza no começo de setembro (2). Assistir The Power of The Dog é como ver água fervendo numa chaleira: você observa aquele quadro estável ser alterado e passar por crescentes mudanças até que mude de estado, o acontecimento é silencioso, mas não menos perigoso e poderoso.

O rancho que antes era comandado com punhos de ferro por Phil (Benedict) entra em desalinho com a chegada de Rose (Dunst) e seu filho Peter (Kodi). Nessa escala de conflitos, o filme faz um estudo do papel da masculinidade na sociedade. Phil é um homem turrão, agressivo e um pouco estereotipado, mas é uma fachada que esconde seu segredo mais íntimo. Num mundo que Phil é opressor, ele também pode facilmente ser oprimido, e para sobreviver nesse meio, então é necessário para ele assumir uma persona. George (Plemons) não tem voz ativa nas decisões do irmão e, embora conviva, não há expressões de carinho fraternal. Rose é uma viúva que cuida de seu filho sozinha, com seus próprios fantasmas do passado e lidando com problemas atuais num mundo masculino, ela luta para não se render ao esgotamento e ao que parece ser um caminho trágico para uma mulher nessa situação. Já Peter, filho de Rose, já vive em opressão devido aos seus maneirismos e timidez. É a lei do mais forte, predadores e presas no campo.

Jane e seu elenco sabem exatamente o que estão fazendo. Não existem grandes cenas para o espectador ver tal ator brilhar e chamar a atenção de todos, não tem ‘’oscar tape’’ aqui. É um trabalho conjunto muito contido e sem interesse de apelar de alguma forma. A que melhor aproveita desse sentimento e o potencializa é Dunst: a atriz possui um olhar melancólico poderoso e magnético que domina o longa com inteligência. Seus conflitos não são todos verbalizados, mas são sentidos e percebidos durante a narrativa toda. Dunst adiciona uma aura misteriosa ao seu personagem que nunca é desvendada, mas que encanta quem assiste. Jane também sabe adicionar pequenas pistas sobre Rose através planos precisos nos quais ela parece abandonada e oprimida pelo vasto ambiente que a cerca. Já Kodi expressa uma certa ambiguidade em seu personagem. Seria ele um inocente ou seria ele realmente inteligente ao ponto de saber se proteger nesse mundo masculino? Ele come o prato principal enquanto os demais comem a salada? Essas dúvidas rondam seu personagem. Peter e Rose são introspectivos, mas Rose é impulsiva e Peter arquiteto. Como comentado acima, Phil é um personagem que criou uma armadura de proteção para se defender de si mesmo e dos outros, mas existe uma sensação de um certo desleixo na hora de criar uma maior complexidade e tradução de todos esses traços que compõem o personagem, sejam por parte de Jane (com o texto de origem, do qual eu não li) ou do próprio Cumberbatch.

Jane Campion no set de The Power of the Dog (2021)
© Netflix

A direção de Campion é magistral. Ela cria uma harmonia fascinante entre um grande elenco com performances excêntricas, uma fotografia esplêndida de Ari Wegner, uma montagem super fluída de Peter Sciberras e uma trilha precisa e mediadora de humor de Jonny Greenwood. Um conto de opressão e salvação, é um filme que exige sua atenção e paciência a todo momento para que você seja recompensado quando os créditos aparecem, e com certeza vai ficar em sua mente por um bom tempo, pelo menos mais tempo do que a grande maioria dos originais recentes da Netflix.

O longa é uma das nossas grandes apostas para essa temporada de premiações: Melhor Filme, Direção, Ator Principal, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora e Melhor Fotografia devem ser algumas das categorias principais nas quais o filme deverá receber indicações.


The Power of the Dog é uma grande demonstração da maestria de Campion em harmonizar o caos.

The Power of the Dog (Ataque dos Cães) fica disponível na plataforma de streaming da Netflix no dia 1 de dezembro.

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