Noite de Oscar

O seu maior companheiro da temporada de premiações

Festival de Londres 2020 – Semana #1

Em sua 64º edição, e pela primeira vez online, o BFI London Film Festival 2020 (Festival de Londres 2020) começou com uma semana diversa em temas e visões. Mangrove, de Steve McQueen e filme de abertura do festival, olhou para os conceitos de resistência e comunidade com lentes pacíficas e revoltosas. Wolfwalkers, animação de Tomm Moore e Ross Stewart, abre discussões sobre liberdade e papeis sociais tanto em seus visuais únicos quanto no seu texto encantador. One Night in Miami, estréia de Regina King na direção, é uma ficionalização ultra-charmosa de uma noite com quatro ícones da comunidade negra da década de 60. Por fim, porém não com menos destaque, Supernova: uma reflexão sobre memórias e do amor frente a diversidades. Confira analises detalhadas desses quatro filmes e fique ligado no Noite de Oscar para a cobertura da segunda semana do festival – que promete ser igualmente incrível!

Supernova, de Harry McQueen

Stanley Tucci e Collin Firth em Supernova (2020)

★★★

Supernova é, acima dos problemas enfrentados pelos protagonistas, um filme de momentos. Sam (Collin Firth) e Tusker (Stanley Tucci) conversam, riem, brigam, choram, se abraçam. Viajam juntos, pelo Reino Unido, em busca de seus antigos amigos e familiares para viver velhas (e gerar novas!) recordações. A direção sóbria de Harry Mcqueen contrasta, juntamente com a fotografia de Dick Pope, as paisagens melancólicas outonais de Lake District com a sensação de eminencia do agravamento da demência de Tusker, que logo irá esquecer todos esses momentos únicos. O filme nos insere nos momentos mais íntimos do casal não como meros espectadores, mas sim como participantes ativos que possuem o mesmo objetivo em comum: viajar ao passado e preserva-lo. Por mais que as vezes o filme trave num exercício dramático não muito bem dosado, com momentos exageradamente enjoados, o filme nunca é seco ou insensível. Em tempos explorativos, Supernova é um bom exemplo de como tratar do amor em meio as adversidades, sem tirar a legitimidade de nenhum dos dois. – André Luis

Mangrove, de Steve McQueen

Letitia Wright em Mangrove (2020)

★★★★

Parte de uma antologia (Small Axe) por Steve McQueen, Mangrove foi a primeira parte a passar no LFF 2020. O filme, baseado em uma história real, começa com Frank e seu restaurante, The Mangrove, quando é atacado por policiais gratuitamente. Esse evento culmina em protestos em que vários dos ativistas são levados ao tribunal. Testemunhamos a alegria inerente à comunidade que se reúne nesse restaurante e na região, suas festas, comidas, costumes e cultura. Mas com a felicidade, também existe o medo constante, a ansiedade de viver nessa região com policiais em volta, invadindo um restaurante e abusando de seus clientes e cidadãos.
Mangrove mostra com honestidade e relevância para os tempos em que vivemos hoje como a comunidade negra, como um restaurante (simbólico de uma cultura e um povo), resistem e lutam, recuperando o que é deles por direito. McQueen se preocupa com todos os seus personagens, os filma buscando mostrar todos seus nuances com humanidade, exaltando traços e situações atemporais. É um olhar muito bem calibrado sobre o clima da Inglaterra da década de 70 e o racismo que uma comunidade foi vítima, é específico para o momento mas completamente relevante hoje. Shaun Parkes e Letitia Wright são os destaques das atuações do elenco, que entrega um bom trabalho no geral. O ritmo e montagem também fluem muito bem, fazendo com que essa história pesada seja leve. – Daniel Borela

Wolfwalkers, de Tomm Moore e Ross Stewart

Wolfwalkers (2020)

★★★½

Na primeira parte do filme somos apresentados a Robyn (Honor Kneafsey) e seu pai Bill (Sean Bean), os dois vivem juntos e sua relação é boa, porém, Bill têm a difícil missão de exterminar uma alcateia de lobos, o que faz a relação de pai e filha estremecer quando Robyn conhece Mebh (Eva Whittaker), uma garota misteriosa que têm contato com lobos e mostrará a Robyn um outro lado da história. A amizade de Robyn e Mebh vai crescendo durante o filme, juntas, elas vão conhecendo ainda mais sobre suas próprias histórias e explorando a natureza que as cercam. O filme usa suas duas protagonistas para trazer muita simbologia em relação a magia e a mãe natureza, e isso também é muito bem explorado com os visuais do filme, que faz com que a imersão nesse conto seja muito maior. Além de ter uma trilha sonora muito bem feita e que encaixa perfeitamente com o filme, é uma obra que fala muito sobre família, coragem e liberdade, que inspira e ilumina algumas lições durante o filme, mas isso é feito de maneira simples e sem querer forçar algo para o telespectador, estabelecendo uma obra ainda mais bonita e agradável de presenciar. Wolfwakers é uma história mágica que através da amizade mostra o quão bela, importante e divertida é a jornada da descoberta de ser quem você é. – Stephanie Comin

One Night in Miami, de Regina King

Aldis Hodge. Eli Goree e Leslie Odom Jr em One Night in Miami (2020)

One Night in Miami é relevante e oportuno, mas cujas amarras teatrais e seguras demais acabam minando, mesmo que um pouco, sua transição para o cinema. Mesmo assim é um debut de direção muito bem vindo para uma das atrizes mais celebradas atualmente. Confira a crítica completa de Pedro Cardote aqui.

Para mais filmes e notícias relacionadas ao Festival de Londres 2020, fique ligado nas postagens do Noite de Oscar! Confira também o nosso twitter, @noitedeoscar, para reações iniciais dos filmes do festival!

André Luis

Gosto de rinha de filme.

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