Festival de Locarno 2021 | Dia #2

Chegamos no segundo dia do Festival de Locarno! Hoje vimos o incrível “Mad God”, dirigido por Phil Tippett, e o filme “Atlas”, de Niccolò Castelli. Vou tentar postar diariamente alguns comentários sobre os filmes que eu ver, para tentar não deixar nada batido.

Não se esqueça de conferir a nossa cobertura completa do festival, com comentários de diversos outros filmes, aqui.

MAD GOD (Phil Tippett)

Locarno
© Tippett Studio

Como falar de “Mad God” sem cair na caretisse? Experimental, barroco, moderno, contemporâneo, etc. Qualquer adjetivo com certeza não irá fazer jus a essa que talvez seja uma das produções mais interessantes dessa edição de Locarno. Mais de 30 anos em desenvolvimento, a animação stop-motion é descrita por seu criador Phil Tippett como um grande pote de doces, onde cada um pode enfiar a mão e tirar aquilo que quer.

Não irei afirmar que consegui tirar 100% um docinho dali, afinal ele resiste até mesmo a mais pessoal das interpretações. É até mesmo inútil, pra falar a verdade, porque é como tentar interpretar o seu próprio pesadelo. A experiência de Mad God foi tão fascinante pra mim que eu jamais trocaria a satisfação de desbravar o labirinto infernal e cativante da mente de Tippett pela de poder “sacar” alguma alegoria ou algo do tipo.

O negócio é se deixar levar pela anarquia.

PS: Fãs de Starship Troopers, esse aí é pra gente.


ATLAS (Niccolò Castelli)

© Imagofilm Lugano

Allegra é apaixonada por alpinismo. Ela decide viajar para o Marrocos para chegar ao topo do Atlas, mas sua viagem termina quando um homem explode uma bomba em um café e seus três amigos morrem no ataque. Incapaz de superar o trauma, meses depois ela retorna à sua cidade, onde o encontro com Arad, jovem refugiado do Oriente Médio, a obriga a enfrentar sua percepção da realidade, seus medos e curar suas profundas feridas interiores.

Atlas é um filme safe demais para dar conta da magnitude das questões que levanta. Apesar de ser inventivo formalmente em alguns momentos, na maioria das vezes o diretor acaba enfiando situações tão derivativas que dificilmente conseguimos enxergar as coisas com o grau de intimidade que a narrativa exige. É algo que poderia se destacar facilmente na seleção desse ano do festival, porém é seguro demais pra ficar guardado na cabeça de alguma pessoa. Matilda De Angelis está boa, mesmo que sua personagem tenha pouco a revelar sobre trauma.


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