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Cry Macho: O Caminho para a Redenção – Crítica

Clint Eastwood, um dos maiores realizadores de cinema da história, retorna aos cinemas atuando e dirigindo em Cry Macho.

Clint Eastwood e seu elenco no set de Cry Macho (2021)
© Warner Media

Clint Eastwood, um dos maiores realizadores de cinema da história, retorna aos cinemas atuando e dirigindo. Em Cry Macho (com o subtítulo nacional ‘O Caminho para a Redenção’) Clint interpreta Mike, um cowboy esquecido pelo tempo e assombrado pelos fantasmas do seu passado. Na busca pelo jovem Rafael, Mike passa por eventos através do filme que o faz encontrar algo além do seu objetivo.

Adaptado do livro de mesmo nome, o filme é, antes de tudo, por e sobre Clint Eastwood, seu papel por trás e na frente das câmeras através de sua carreira. É incrível ver o ator colocar o chapéu de cowboy novamente e dar vida ao seu personagem. Mike é um homem rígido, mas amável e muito carismático. Clint entrega um trabalho excepcional como ator e, como diretor, reflete sobre sua carreira com uma das temáticas do longa.

Além de seus personagens, Eastwood também apresenta uma criaturinha com presença marcante durante o filme, o pequeno Macho, galo companheiro de Rafael. Usado pelo jovem em rinhas de animais, ele traz consigo uma tradução do que Eastwood planeja contar no longa. Em determinado momento, Mike discute o nome do galo e o termo “Macho” num diálogo um pouco óbvio e direto. Conhecido por alguns de seus papéis e filmes sobre figuras masculinas duronas e turronas, o diretor entrega aqui sua reflexão: É possível, num mundo desregrado e agressivo, um homem não representar o meio em que vive? Através de interações entre personagens, Clint mostra ser possível essa existência.

Infelizmente nota-se também que o diretor poderia ter se dedicado mais na hora de fortalecer esses laços ou criar algo realmente sensível na relação com o pequeno Rafo. Ao fim do filme, repara-se também que o longa fica com uma lacuna. Não em sua história, mas na hora de representar esses sentimentos das personagens. A impressão é a de que muita coisa não foi dita verbalmente ou através da imagem. Uma história simples desde que bem contada não deveria ser criticada por sua simplicidade, mas no caso de Cry Macho, Clint conta uma história não complexa, mas que podia ser mais polida tanto em tema e sensibilidade. Sabendo que o diretor entregou em sua carreira um trabalho belíssimo em vários filmes como As Pontes de Madison County, esse resultado é um tanto quanto frustrante.

Cry Macho, ao que parece, deveria ter sido um grande marco na carreira do diretor graças ao que Clint planejava tematicamente. Entretanto fica a noção de potencial desperdiçado mesmo que o resultado seja aceitável.


Aos 91 anos, Clint Eastwood brilha na frente das câmeras mesmo que por trás delas aparente estar ficando enferrujado.

Cry Macho estreia nos cinemas no dia 16 de setembro.

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