Crítica – The Trial of The Chicago 7

The Trial of The Chicago 7 (Os 7 de Chicago) é o segundo filme de Aaron Sorkin, e nesse longa o conhecido roteirista se desafia a contar o que aconteceu em um dos julgamentos mais famosos dos Estados Unidos. Por meio de injustiças, racismo e corrupção, esse momento ficou carimbado na história americana e conversa muito com a atualidade.

The Trial of the Chicago 7 — Aaron Sorkin's drama is in the dialogue |  Financial Times
Yahya Abdul-Mateen II, Ben Shenkman, Mark Rylance, Eddie Redmayn e Noah Robbins em The Trial of The Chicago 7, Cortesia da Netflix

No primeiro ato somos apresentados aos personagens principais do filme, que são os réus Abbie Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, Tom Hayden, Rennie Davis, John Froines, Lee Weiner e Bobby Seale. O filme mostra um pouco de cada um rápido demais, porque tenta correr demais com o filme para chegar no seu objetivo que é a história no tribunal, e isso faz com que se perca a oportunidade de fazer com que o telespectador se importe com esses homens e suas histórias próprias, mostrando-os apenas como manifestantes de uma tentativa de revolução cultural.


Mesmo com esses problemas de introdução de personagens apresentados nesse primeiro ato, o filme consegue contornar essa pequena falha, pois possui um roteiro muito consistente e bem trabalhado que vai evoluindo com o passar do filme ao elevar os personagens e aos poucos ir dando mais profundidade a eles, apresentando alguns flashbacks que mostram um pouco do que aconteceu nas manifestações da Convenção Nacional Democrata de 1968. Apesar de algumas escolhas de músicas e cenas excessivas e cafonas demais destoarem um pouco o filme, isso não prejudica a experiência de acompanhar uma história tão marcante.

A obra de Sorkin também acerta muito ao mostrar com veracidade o julgamento dos réus, ao acompanhar esses personagens durante 151 dias dentro de um tribunal, e assim, percebemos o quão falha a justiça foi com esses homens naquele momento da história e como o julgamento tornou-se algo político, com um juiz corrupto que não enxergava e nem deixava outras pessoas enxergar os fatos de uma história que foi excessivamente midiática e injusta.

Sacha Baron Cohen, Danny Flaherty, Eddie Redmayne, Jeremy Strong e Mark Rylance em The Trial of The Chicago 7, Cortesia da Netflix

O filme ainda nos presenteia com um elenco estelar e atuações marcantes, principalmente de Yahya Abdul-Mateen II como Bobby Seale, que ao representar uma figura tão importante dos Panteras Negras, tem momentos carregados de emoção e quando aparece em cena, consegue roubar o filme pra si ao representar tão bem uma figura importante como essa. Destaque também para o ator Mark Rylance que faz o advogado William Kunstler e com uma atuação explosiva e simpática consegue elevar a trama a um nível ainda mais superior.

Sendo possível fazer paralelos com os protestos que acontecem ao redor do mundo atualmente contra a brutalidade policial e racismo, The Trial Of The Chicago 7 é uma história sobre sistema judiciário e injustiças mais atual do que nunca.

★★★½

Chances

Altas chances de vermos esse filme fazer o circuito completo da temporada: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

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