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O seu maior companheiro da temporada de premiações

Crítica – The Devil All the Time

Situado na zona rural de Ohio e West Virginia, o filme segue diversos personagens do final da Segunda Guerra Mundial até a década de 60. O filme abre com a família de Willard Russell (Bill Skarsgård), um veterano de guerra atormentado que é casado com Charlotte (Haley Bennett), vítima de câncer, fazendo com que seu filho Arvin sofra as consequências de seus conflitos internos.

Com um avanço temporal, passamos a acompanhar Carl (Jason Clarke) e Sandy Henderson (Riley Keough), um casal de assassinos em série que percorrem as rodovias em busca de modelos adequados para fotografar e assassinar. E Arvin (Tom Holland), filho órfão de Willard e Charlotte, que cresce sendo acolhido por seus familiares próximos, e que também é próximo de Lenora (Eliza Scanlen), também órfã acolhida pela família. Preston Teagardin (Robert Pattinson) é o pregador da igreja local, e Lee Bodecker (Sebastian Stan) o xerife regional.

Bill Skarsgård como Willard e Michael Banks Repeta como Arvin (criança), cortesia da Netflix.

Por não ter familiaridade com o livro de Donald Ray Pollock, adaptado por Antonio e Paulo Campos para o longa, não me importarei em fazer comparações ou questionamentos sobre a adaptação em si, até porque a narrativa deve se sustentar sozinha na tela, seja através de elementos visuais ou do seu roteiro adaptado.

Tom Holland como Arvin, cortesia da Netflix.

Dirigido por Antonio Campos, o filme é montado através de sequências de eventos (algumas vezes fazendo o espectador perder a noção de espaço e tempo) que quase sempre acabam em carnificina: suas imagens são completamente expositivas e servem somente para tentar te chocar, e isso não seria um problema necessariamente se o filme te desse espaço para se importar com os personagens. Mas é aí que mora o problema do roteiro: ele dificilmente se importa com eles, com exceção de Arvin, que acompanhos desde sua infância (facilitando a conexão do espectador com o personagem), todos eles são escritos de forma unidimensional.

O espectador não tem em seu campo de visão uma bagagem que torne compreensível os comportamentos e traços dos personagens. Todos são violentos e de morais questionáveis, numa dinâmica que alterna entre uma tentativa até justa de conceitualização da violência a um sadismo puro e desnecessário. Nada parece progredir, apenas rotacionar em meio ao eixo do suposto “tema” estabelecido por Campos. Não há humanidade, já que todos são peões com movimentos pré-estabelecidos, que parecem não existir quando a câmera não está apontada para eles. Sendo assim, é difícil não ter a ilusão que tudo é em vão e que o filme termina exatamente onde começou.

O roteiro também não tem foco: todos os personagens estão interligados de alguma forma, o roteiro vai e volta no tempo e espaço para acompanhar cada um, mas não há uma conexão verdadeira, eles se encontram e logo em seguida há um clímax violento, e novamente, o telespectador não se importa, porque não se cria um apego emocional aos personagens previamente. Junto a tudo isso, o filme possui um narrador que quase sempre é indispensável: não satisfeito em ser expositivo visualmente, também é expositivo narrativamente.

Jason Clarke e Riley Keough como Carl e Sandy Henderson, cortesia da Netflix.

 O elenco por outro lado não está ruim: com sotaques regionais exagerados e com pouco material para trabalhar, o destaque fica para Bill Skarsgård, Riley Keough, Eliza Scanlen e Robert Pattinson, que vêm tendo carreiras muito interessantes de acompanhar. A trilha por Danny Bensi e Saunder Jurriaans também é interessante, tenta ao máximo evocar um peso nessa narrativa vazia que não cria tensão e nem apego emocional.

The Devil All the Time (O Diabo de Cada Dia) fica disponível na Netflix no dia 16 de setembro, quarta-feira.

★½

Chances

Dado os outros filmes da Netflix (Da 5 Bloods, Mank e The Trial of Chicago 7) não acreditamos que The Devil All the Time consiga render alguma indicação para o estúdio. Ficaremos no aguardo de outros lançamentos!

Daniel Borela

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