Noite de Oscar

O seu maior companheiro da temporada de premiações

Crítica – Promising Young Woman

O primeiro longa de Emerald Fennell, dirigido e escrito pela mesma, foi estreado em Sundance no começo do ano, é produzido pela LuckyChap Entertainment e distribuído pela Focus Features. Uma jovem chamada Cassie (interpretada por Carrie Mulligan) está sedenta por vingança de um evento traumático que envolveu sua melhor amiga na época da faculdade, ela confronta cada pessoa envolvida, até indiretamente, e ensina uma lição para cada uma de alguma forma. Seus meios podem nem sempre ser os mais inteligentes a longo ou curto prazo, ou gratificantes para o espectador num geral, mas isso pode ser visto como um ponto positivo para a narrativa já que acrescenta para a experiência como um todo do longa que busca gerar ansiedade, ter uma lente pessimista e te deixar curioso para a próxima jogada da personagem. Cassie também lida internamente e particularmente com esse evento, ensinando lições para os homens que caem nas suas armadilhas em clubes noturnos, até que ela começa a se envolver com um antigo colega da faculdade (interpretado por Bo Burnham).

Com uma premissa dessa, é impossível não ter uma certa noção de como essa narrativa vai se desenvolver e o público ela quer atingir: os personagens de Fennell são moldados por todos os estereótipos que você pode esperar de um filme comercial pós Me Too, além de ser recheado de músicas pop, e isso pode realmente ser um colírio para um certo grupo.

Carrie Mulligan em Promising Young Woman (2020), cortesia da Focus Features

O problema é que mesmo tentando ser ousado e tendo essa lente pessimista sobre seus personagens e as situações que eles se encontram, o longa se desenrola de uma forma bem resguardada e então ele tenta, através do clímax, introduzir uma reviravolta, mas ao mesmo tempo em que faz isso também traz consigo uma conclusão previsível, resultando em algo frustrante e talvez até insatisfatório, especialmente para o público alvo que até então devia estar encantado com o longa. Para um filme que busca ser ousado em intenção, acaba não sendo nem em resultado e nem em forma. Desde o começo a narrativa já indica ser previsível e acaba trabalhando superficialmente no tema delicado em que aborda, e isso não seria um problema necessariamente, mas o seu final acaba não só confirmando essas intenções, mas também deixando um gosto ruim na boca, de que quase tudo foi em vão e reforçando ainda mais os estereótipos de seus personagens. Fennell não tem a mínima intenção de desenvolver nenhum deles além de Cassie, você só consegue simpatizar com ela, mas mesmo assim a diretora e roteirista bate na tecla que Cassie também não é uma santa, deixando tudo mais conflitante pois ao tentar não deixar ela completamente superficial também falha em tentar deixa-lá complexa.

Carrie Mulligan, Emerald Fennell, Laverne Cox e Bo Burnham no set de Promising Young Woman (2020), cortesia da Focus Features

A magnitude de Mulligan em tela não é surpresa para ninguém que acompanha o trabalho da atriz e aqui ela não faz diferente, fazendo por merecido o buzz para Melhor Atriz na temporada que vem recebendo, ainda mais em um ano que até agora vem tendo poucos concorrentes fortes e decisivos. Promising Young Woman vai te deixar ansioso e talvez frustrado, mas vale a pena ser assistido: é envolvente, bem atuado, tem um bom ritmo e deve agradar seu público alvo.

★★★

Chances

Além de indicações para Roteiro Original, é esperado que Mulligan faça o circuito completado da temporada já que até o momento ela é uma das frontrunners dos prêmios de críticos americanos.

Daniel Borela

One thought on “Crítica – Promising Young Woman

  1. Pra mim é apenas mais um filme da agenda progesssista , onde todos os homens são machos frageis e estupradores . ” I spit in your grave” fé algo muito mais visceral e impactante há 40 anos atrás .

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