Crítica – Minari – Em Busca da Felicidade

A tentativa de um indivíduo ou um grupo de sobreviver ao sonho americano é um dos temas mais debatidos e mostrados no cinema. Os perigos, dificuldades e desafios apresentados são espelhos de uma realidade dura e assustadora, em Minari, filme dirigido por Lee Isaac Chung, isso não é diferente. Estreado em Sundance no começo do ano, distribuído pela A24 nos EUA e no Brasil pela Diamond Films, o espectador é apresentado a uma família humilde de imigrantes coreanos no solo dos EUA que passa pelos diversos obstáculos em volta de uma oportunidade de crescer em território estadunidense.

Alan S. Kim em Minari (2020), cortesia da A24

Estrelado por Steven Yeun, o patriarca desse pequeno grupo, o longa é firmado por um elenco afiado e totalmente entregue aos seus personagens. Yeun e Han Ye-Ri dão vida a um casal em conflito graças aos seus sonhos e pesadelos pessoais, mas o destaque vai totalmente para Youn Yuh-Jung. A veterana interpreta a matriarca e avó do pequeno personagem de Alan Kim que estremece a história com sua chegada. Youn sabe como passear por cada gesto, olhar e frase que a personagem entrega sem nunca cair em território comum e batido. É uma personagem atípica e a atriz sabe exatamente o que está fazendo. É uma performance encantadora.  

O longa também é lindamente filmado e trabalha bem a visão das crianças sobre aquele mundo desafiador, mas sem perder o seu brilho e vivacidade que são elevados graças ao trabalho do incrível Emile Mosseri na trilha sonora. Minari se aventura por diversos temas: uma nostalgia com o passado de sua infância, um choque de culturas representado pela chegada da avó, a luta pela sobrevivência e um drama familiar. Em sua maioria, eles são bem trabalhados e repara-se que o diretor tem algo a falar para além do que já foi feito dezenas de vezes antes.

Steven Yeun em Minari (2020), cortesia da A24

O longa se estica ou torna-se melancólico acima do necessário em alguns breves momentos, principalmente na parte final. O simbolismo por trás do nome Minari e de sua origem parece, em primeiro momento, cafona, mas após algum tempo refletindo torna-se emblemático e inseparável para a criação e impacto daquela narrativa. Em sua duração, o filme possui tantas cenas belas que logo se esquece dos problemas e se destaca o resto.

Com bons momentos e comandados por uma direção afetuosa, Minari é, acima de tudo, um longa que representa o elo que transforma cada um desses indivíduos num grande e amoroso grupo familiar que é potencializado por seu elenco que torna a experiência mais palpável e sensível no seu todo.

★★★★

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