Noite de Oscar

O seu maior companheiro da temporada de premiações

Crítica – Minari

Assistido pelo Noite de Oscar no Heartland International Film Festival, o novo longa do diretor Lee Isaac Chung, estrelado por Steven Yeun e Yeri Han conta a história de Jacob, um homem coreano que decide levar toda a sua família para o Arkansas na década de 80 e começar uma fazenda. A decisão de Jacob não agrada Monica, a matriarca da família, e ao longo do filme acompanhamos essa relação mudando e como os filhos do casal se adaptam as mudanças tão abruptas que os cercam.

Alan S. Kim em Minari (2020), cortesia da A24

Entre momentos felizes e desafiadores, a vida da família é retratada de forma bem orgânica graças as composições visuais formalistas de Lachlan Milne. A câmera tremida, que corre livremente com as crianças, ajuda a trazer um sentimento prazeroso de liberdade e inocência. As cores saturadas evocam uma sensação energética contagiante de Minari, algo que se amplifica com a presença da bela trilha de Emile Mosseri. Lee Isaac Chung acerta em cheio ao usar alguns momentos do filme para focar mais no filho do casal, o pequeno David (Alan S. Kim) de 7 anos. Através do ponto de vista do garotinho, o diretor deixa de lado uma abordagem clichê sobre casamentos em crise, encarando as situações difíceis com um olhar mais leve. A chegada de Soonja (Yuh-Jung Youn), mãe de Monica, engrandece e ilumina o filme, trazendo as sequências mais doces e emocionantes de Minari.

Dentro do elenco, o protagonismo fica com Steven Yeun e Yeri Han que conseguem nos fazer sentir o peso de seus papéis como chefes de família, tentando trazer uma vida melhor para seus filhos. O estreante Alan S. Kim não fica para trás e sua atuação como David, uma criança inocente conhecendo um novo mundo, é cativante e merece destaque nas premiações. Com toda certeza, um artista jovem que devemos ficar de olho e que merece muitas oportunidades.

Steven Yeun em Minari (2020), cortesia da A24

Através da espontaneidade dos atores e da câmera do diretor, Minari se torna um filme puro, um cinema que fala com a alma. Ao retratar essa história autobiográfica, o diretor Lee Isaac Chung consegue trabalhar os dramas e as mudanças no cotidiano dessa família de forma única, sem deixar que o filme se torne um amontoado de clichês. A obra abre muito bem discussões sobre imigração, alternando entre a dificuldade dos estrangeiros e beleza do território em sua volta. Acima de seus momentos felizes e tristes, Minari é um filme que celebra a vida.

★★★★

Chances

Esperamos ver esse filme nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha. As chances dele são maiores pois a A24 não está posicionando nenhum filme melhor que esse de seu catálago nesse ano.

André Luis

Gosto de rinha de filme.

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