Crítica – Jumbo

Dando continuidade à nossa cobertura do VIFF 2020, escrevo brevemente sobre um filme independente, estreado em Sundance no começo do ano: JUMBO.

O filme é o primeiro longa da belga Zoé Wittock, onde ela também escreve o roteiro. Na trama, Jeanne (Noémie Merlant), uma jovem tímida, trabalha em um parque de diversões e mora com sua mãe. Em um momento, Jeanne conhece Jumbo, a nova atração do parque.

Zoé Wittock e Noémie Merlant no set de Jumbo (2020)

De primeira mão, o conceito do filme parece cômico, os personagens em volta de Jeanne também acham, mas Wittock leva muito a sério e assim, com sua sinceridade e delicadeza, acaba encantando o espectador. O longa tem o mérito de traduzir a experiência de ser LGBT de certa forma: é bem familiar para alguns o sentimento de amar alguém e não ser entendido pelas pessoas em sua volta, ser repreendido e envergonhado por isso, ao mesmo tempo, Wittock também trabalha muito bem a heterossexualidade compulsória.

Acompanhado de uma ótima trilha por Thomas Roussel, a ideia do longa é simples, e a execução também. E talvez Wittock tenha completa ciência disso, tentando então explorar ao máximo o que pode criar visualmente, e sucedendo de certa forma: Jumbo tem um apelo visual, com cores neon e uma cena, que descreve bem o sentimento de descobrir o próprio corpo e o do outro, que com certeza merece destaque. O roteiro, no geral, não tem uma grande história. Os personagens coadjuvantes não são bem desenvolvidos, servem mais para ser antagonistas, para posteriormente e de forma fácil, deixarem de ser. Concluindo o filme num tom cômico, algo que talvez se estivesse presente desde o começo do filme, seria muito bem aproveitado pela diretora.

Noémie Merlant como Jeanne em Jumbo (2020)

A performance de Noémie Merlant é excelente. Noémie trabalha a atração de forma mais externalizada do que internalizada, como a vimos em Retrato de uma jovem em chamas por exemplo. Em Jumbo, o mundo está contra Jeanne e o seu amor, enquanto com Marianne, ela luta internamente contra o tempo e o desejo que pega fogo.

A ideia de Wittock é interessante de primeira mão e é executada de forma simples, que talvez funcionaria melhor em um curta. De qualquer forma, com uma ótima performance de Noémie, o longa não perde o mérito de suceder em transmitir, com sinceridade e delicadeza, o sentimento de amar alguém e não ser compreendido.

★★★

Chances

Acreditamos ser muito difícil ver esse filme na corrida, mas se acontecer, provavelmente quem deve aparecer é Noémie.
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