Noite de Oscar

O seu maior companheiro da temporada de premiações

Crítica – Été 85 (Summer of 85)

Visto pelo Noite de Oscar no VIFF, Été 85 é o novo filme do diretor francês François Ozon, que teria sua estreia em Cannes, se não fosse pela pandemia. O longa se passa num período histórico/cultural de certa forma perigoso para um romance entre dois garotos, mas que não impede a realização do mesmo. Alexis, o protagonista, é um jovem que não possui uma real motivação na vida e vê em David uma chance de real felicidade em sua constante e tediosa juventude.

Félix Lefebvre, François Ozon e Benjamin Voisin no set de Été 85 (2020)

O romance entre ambos é construído nos dois primeiros atos do filme, mas o mistério lançado pelo filme em seu início acaba dissipando o interesse do espectador e criando um impecilho em acompanhar essa conexão entre o casal crescer. Félix Lefebvre, que entrega uma bela atuação, estrela o longa ao lado de Benjamin Voisin e juntos criam uma química crível que torna-se o ponto alto do longa. O visual é um outro ponto a se elogiar, porém é apenas um disfarce para a superficialidade que o acompanha.

Infelizmente, ao tentar abordar seus diversos temas, o filme acaba andando em círculos e nunca realmente aprofundando eles: entre sentimentos de descoberta, amor e luto, o longa somente tange seus comentários. A prova disso encontra-se em um certo ponto do terceiro ato no qual Kate (Philippine Velge) questiona a natureza do relacionamento de Alexis (Félix Lefebvre) com David (Benjamin Voisin): interessante no papel, a reflexão não passa de um pensamento solto no filme, que exemplifica a forma como o longa aborda todos os seus demais assuntos.

Philippine Velge e Félix Lefebvre em Été 85 (2020)

Os atos são bem divididos, mas a transição drástica de tom entre o segundo e terceiro ato é muito mal conduzida, transformando o final da obra em algo que intercala entre o vergonhoso e cafona. Été 85 é um filme que poderia ser uma daquelas pequenas joias escondidas na filmografia de algum diretor, porém não é o caso aqui, pois perde seu potencial. No fim é como se observássemos um livro com uma linda capa, mas com conteúdo de qualidade duvidosa.

★★½

Chances

Acreditamos ser muito difícil ver esse filme na corrida, mas se acontecer, deve representar a França em Filme Estrangeiro.

Pedro Cardote

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