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Crítica – Cruella

Cruella é quase perfeitamente exagerado e caricato o suficiente, até que você consegue perceber constantemente a influência do grande estúdio que tem os direitos da personagem e por consequência o leve desandar de uma história com medo de arriscar.

De primeira mão, Cruella parecia uma ideia boba, e acabou que a execução também foi, mas isso não é necessariamente negativo aqui. Craig Gillespie sabe disso e aproveita ao máximo do exagero e caricatura de toda a narrativa e seus personagens, como visto em outros filmes do diretor como Eu, Tonya. O longa é um duelo entre Emma Stone e Emma Thompson para roubar o holofote da cena fashion de uma Londres nos anos 70, e as atrizes também duelam para roubar o holofote do filme em si.

É difícil ver esse filme funcionando de alguma forma sem duas estrelas como as duas que sabem exatamente o que fazer e em que medida, junto da direção de Gillespie. Stone e Thompson seguram o peso de suas personagens e da narrativa nos ombros. E o figurino da vencedora de 2 Oscars, Jenny Beavan, também carrega Cruella, às vezes contando a história que o filme não conta pois está muito preocupado em repetir os mesmos eventos até o fim do filme ao mesmo tempo que tenta apresentar vários personagens que não são desenvolvidos e ao mesmo tempo que tenta comover o público com a tragédia de Estella, perdendo o rumo por consequência.

Emma Thompson em Cruella (2021), cortesia da Disney

Mas como uma boa vilã carismática, Cruella tem muitos truques na manga para te seduzir por essas duas horas. Ela consegue enganar e chamar a atenção de toda uma cidade e da cena fashion dos anos 70 para ela, e ao contrário de Malévola (inevitável comparação com um live-action de uma vilã da Disney), Cruella não é um filme que reescreve a história para fazer o público sentir simpatia por um vilão. Com um sorriso travesso no rosto, desde o começo do filme e até o seu fim Cruella não deixa de ressaltar como sua história é cheia de “coisas ruins” e tragédias, ela é descaradamente maléfica. O longa reconhece e abraça Cruella como a personagem louca e fria que ela é, Estella tem sede de vingança, não só da tragédia pessoal que alavanca o filme, mas da coroa da Baronesa e de status.

Ainda que nunca entediante, com os eventos da narrativa se repetindo sem necessidade, junto da previsibilidade esperada de um filme da Disney, é na metade pro fim do filme onde Cruella finalmente consegue executar seu plano final, e é aí que o filme começa a ficar sem energia e a sua duração começa a pesar. E o que mais incomoda é que o longa às vezes tenta comover o público com a tragédia pessoal de Estella, e isso não funciona muito bem, interrompendo um filme que funcionaria perfeitamente abraçando completamente essa natureza ridícula com uma protagonista sem remorso.

Emma Stone em Cruella (2021), cortesia da Disney

Cruella é quase perfeitamente exagerado e caricato o suficiente, até que você consegue perceber constantemente a influência do grande estúdio que tem os direitos da personagem e por consequência o leve desandar de uma história com medo de arriscar. Talvez Craig conseguiria ir fundo se não fosse um filme feito para ‘’crianças’’, mas se você é um adulto que consegue se divertir por duas horas com numa narrativa cheia de personagens caricatos, duas grandes atrizes, uma trilha óbvia (mas eficiente) demais e desfiles exagerados, talvez você não encontre grandes problemas em Cruella.

★★★½

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