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Crítica – Black Bear

Dirigido e escrito por Lawrence Michael Levine, sendo o segundo longa do americano, Black Bear teve sua estreia em Sundance e teve uma boa recepção. O filme foi assistido pelo Noite de Oscar no VIFF.

Black Bear (2020) - IMDb
Aubrey Plaza em Black Bear (2020), cortesia do Sundance Institute

Black Bear começa de forma inocente com Allison (Aubrey Plaza) chegando em uma cabana no meio da floresta, habitada pelo casal Blair (Sarah Gadon) e Gabe (Christopher Abbott), para trabalhar em seu próximo roteiro que ela está escrevendo. A partir daqui prefiro não entrar em mais detalhes quanto ao enredo, pois de certa forma tudo o que vamos desvendando durante o filme pode ser discutido e analisado de diferentes formas.

O longa é estruturado em duas partes: a primeira, pode ser descrita como uma comédia com um tom mais sombrio sobre uma forasteira num relacionamento alheio; já a segunda parte, serve mais como uma pintura de um ambiente caótico do processo de produção cinematográfica. Essa estrutura narrativa de certa forma confusa pode deixar o filme difícil de digerir para alguns, mas para outros, talvez seja o seu maior mérito. Onde ele mais sucede é pela forma como confunde a linha entre a realidade e a fabricação, uma desconstrução do processo criativo de um filme e de suas lentes criativas.

O filme também é um estudo das relações tóxicas, da dinâmica entre artista e musa, sobre como manipulamos as pessoas para nosso ganho pessoal, como os nossos relacionamentos afetivos e as pessoas que depositamos confiança podem se aproveitar de nós e nos levar a loucura. É um convite para a psique de uma artista sofrendo, emocionalmente e criativamente.

Aubrey Plaza e Christopher Abbott em Black Bear (2020), cortesia do Sundance Institute

Black Bear tem o seu peso nos diálogos entre as personagens e na grande atuação de Aubrey, que talvez seja a melhor de sua carreira até agora. Christopher Abbott também faz um bom trabalho, dando química para a dupla central. O longa pode se organizar em duas partes, mas ao terminar, as peças se juntam, resultando em um filme caótico, porém bem pensado e realizado.

★★★½

Chances

Acreditamos ser difícil ver esse filme na corrida, mas também acreditamos que Aubrey deve levar reconhecimento no Spirit Awards.

Daniel Borela

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