Noite de Oscar

O seu maior companheiro da temporada de premiações

CIFF 2020 – Semana #2

Dando continuidade a nossa cobertura do Chicago International Film Festival 2020 (Festival Internacional de Chicago 2020) e concluindo a mesma a partir desse post, apresentamos agora nossos comentários sobre os seguintes filmes que passaram pelo festival: Ammonite, de Francis Lee; Nomadland, de Chloé Zhao; Kubrick by Kubrick, de Grégory Monro; True Mothers, de Naomi Kawase.

Kubrick by Kubrick, de Grégory Monro

Frame de Kubrick v. Kubrick (2020)

★★

Uma mistura de podcast com autorismo de grife, Kubrick by Kubrick já deixa claro nos seus primeiros minutos que não será nada além da entrevista de Michel Ciment com o diretor. Oque não é necessariamente uma má ideia, já que sempre vai ser interessante ver a obra de Kubrick comentada por ele mesmo. No entanto, as imagens usadas por Grégory Monro soam tão complementares, tão dependentes do que está sendo falado na narração, que a dinâmica do documentário se esvai e leva junto a lógica cinematográfica do longa. A escolha da produção de usar a sala de “2001: Uma odisseia no Espaço” como um museu lotado de peças valiosas (os filmes, os ícones do diretor, etc) soa tão burocrática e cafona que é difícil achar que de fato existiu um empenho dos realizadores em contar de forma singular a história do diretor. A história de uma carreira marcante contada da forma mais dispensável possível. – André Luís

True Mothers, de Naomi Kawase

Shizue Asami e Hikari Katakura em True Mothers (2020)

★★½

A premissa de True Mothers, novo filme dirigido por Naomi Kawase, é interessante. Satoko (Hiromi Nagasaku) e seu marido Kiyokazu (Arata Iura) decidem adotar um menininho, após inúmeras e fracassadas tentativas de engravidar. Alguns anos depois, a vida do casal é abalada por uma garota desconhecida e ameaçadora, Hikari, que finge ser a mãe biológica da criança. Satoko, então, resolve confrontar Hikari diretamente. O filme acerta justamente nessa relação entre as mães, que engrandece o filme quando entra em cena. No entanto, por escolher compor o seu filme de forma extremamente melodramática, Kawase parece agir somente através do mecanismo da pena, estragando a organicidade das ações. Todos os planos são tão plasticamente pré-calculados que tudo se torna previsível, até mesmo a trajetória das duas mulheres (que ainda por cima é contada através de flashbacks). Talvez se houvesse algum refino, uma maior polidez visual e textual, teríamos uma produção de fato sensível e não exaustivamente piegas. – André Luís

Nomadland, de Chloé Zhao

Frances McDormand em Nomadland (2020)

A vitalidade do filme corre nas veias da comunidade, desse povo que mesmo vivendo na margem atinge uma espiritualidade alheia as nossas compreensões. Os olhares, os gestos e as histórias dos nômades são as únicas formas de expressão necessárias. Nomadland, no fim, é bem sucedido quando olha para o povo como ele é e não como ele acha que é. Confira a crítica completa por André Luis.

Ammonite, de Francis Lee

Kate Winlest e Saoirse Ronan em Ammonite (2020)

Existe uma certa atração pelo longa, mas trata-se mais de um encantamento pelo seu potencial do que pelo conteúdo entregue. No geral, Ammonite tenta expressar, em sua duração, um romance vívido, mas falha em simbolizar e demonstra-lo na tela, tendo que se escorar na sublime atuação de Winslet. Com poucos momentos de intimidade genuína e vida, Ammonite logo será esquecido, assim como os fósseis estudados por Mary Anning. Confira a crítica completa por Pedro Cardote.

A cobertura do festival se encerra por aqui, e o Noite de Oscar gostaria de agradecer ao CIFF pela oportunidade.

Daniel Borela

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