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TIFF 2021 | Mothering Sunday, The Box e The Mad Women’s Ball

O Festival de Toronto está lotado de longas, alguns mais populares, outros nem tanto, mas o Noite de Oscar está assistindo ao máximo para te deixar atualizado. Continuando a nossa cobertura, comentários sobre os seguintes filmes: Mothering Sunday, de Eva Husson; The Mad Women’s Ball, de Mélanie Laurent; e The Box de Lorenzo Vigas.

MOTHERING SUNDAY (Eva Husson)

© Cortesia do TIFF

Situado em meados de 1924, a narrativa acompanha Jane Fairchild (Odessa Young), uma empregada doméstica da casa dos Niven, que tem o dia de folga para celebrar o Domingo da Mãe, enquanto o Sr. e a Sra. Niven (Colin Firth e Olivia Colman) participam de um almoço para celebrar o noivado do único filho restante de seu vizinho, Paul (Josh O’Connor). Jane se alegra com sua liberdade em um lindo dia de primavera, mas ela não tem uma mãe para visitar. E por quase sete anos ela foi – com alegria e sem vergonha – amante de Paul.

É bem difícil de entender o que Eva Husson quer que você sinta por esses personagens, mas o foco é de certo modo claro e bem filmado e atuado: a solidão, a paixão, e o vigor de Jane. O problema é que pra absorver completamente esses elementos você tem que ter um tempo para respirar, mas Eva infelizmente não deixa. Em um momento você está com Jane e Paul debaixo das cobertas e logo depois com Jane e seu marido anos depois, ao mesmo tempo em que ouve as conversas dos patrões dela num jantar.

Fica claro que Eva quer que você conheça e se emocione com a história de Jane como essência, ela como uma vagante nesses espaços dominados pelo masculino, como ela toma conta de tudo isso, como ela deseja diversas coisas e como ela segue em frente e amadurece, mas essa montagem tão bagunçada corta as cordinhas que nos manipulam emocionalmente, é difícil se importar e se conectar com o que está acontecendo com os personagens e com o momento quando você tem que absorver o que acabou de passar e se preparar para o que ainda está por vir. Inegavelmente o final deve soar mais como um clímax, um respiro que faltava, mas ainda sim o produto completa deixa a desejar.


THE MAD WOMEN’S BALL (Mélanie Laurent)

© Cortesia do TIFF

Uma mulher internada (Lou de Laâge) injustamente no hospício de Paris planeja escapar com a ajuda de uma de suas enfermeiras (Mélanie Laurent).

Adaptado do livro de Victoria Mas, Eugénie, da classe alta, é internada no Hospício Salpêtrière depois que sua família percebe que ela tem uma conexão especial com o mundo dos mortos, mas Geneviève, uma enfermeira, vê algo especial nela. A Mélanie Laurent na frente das câmeras você já deve conhecer, por trás delas também já que esse não é o primeiro longa dela e com certeza não vai ser o último, mas aqui ela tem essas duas tarefas, com um execução impressionante, apesar de uns tropecinhos.

Mélanie nos leva pro hospício e para a realidade daquelas que estão institucionalizadas lá, as mulheres loucas, as desobedientes, as vulgares, as histéricas. A diretora sabe como abordar cada personagem, sabe dosar certinho até certo ponto: a camêra dela é meticulosa, honesta, afetuosa e às vezes brutal. Ela aborda essas mulheres além do motivo que as prende naquele lugar, libertando e dando dimensões a elas nos nossos olhos. Mas às vezes aquele sofrimento fica cansativo, repetitivo, até que felizmente a dupla resolve botar o plano em execução, culminando no evento favorito da sociedade parisiense, é nesse baile (dando nome ao filme) onde a classe alta festeja, mas para as pacientes de Salpêtrière, onde tudo é mascarado, que essas mulheres se prepararam para ”atacar”.

Introduzindo o filme à sessão, Mélanie diz que não queria fazer um filme ”sobre feminismo” mas sim sobre o feminino. O longa é relevante pras conversas de hoje, mas você ”já viu esse filme” também porque ele joga sem arriscar, é formulaico, objetivo, bem conduzido, bem atuado e por isso deve te comover, mas não te marcar por tanto tempo.

👍


THE BOX (Lorenzo Vigas)

© Cortesia do TIFF

A história de um jovem em uma missão para coletar o que ele acredita ser os restos mortais de seu pai apenas para ser sugado para dentro de um mundo violento e cruel.

Destituído de sentimentos genuínos, The Box é quase uma sequência espiritual do outro filme de Lorenzo Vigas, De Longe Te Observo (ganhador do Leão de Ouro de Venezia72). Hatzin, um adolescente da Cidade do México, sai para recuperar os restos mortais de seu pai. Alguém disse a ele que encontraram em uma vala comum no norte do México. O encontro casual com um homem fisicamente parecido com seu pai o enche de dúvidas e esperanças, porém o filme não faz nada para demonstrar interesse nesse relacionamento. Muito pelo contrário, ele parece extremamente perdido nas paisagens decentemente fotografadas por Sergio Armstrong (Ema, Neruda).

Tudo no filme é posto de forma desinteressante ou desperdiçado, essa relação pai e filho, o desaparecimento da menina, até o comentário político que mesmo visível durante o toda a duração ainda sim não possui potencia alguma. Se não fosse a performance de Hernán Mendoza, seria um filme com absolutamente nada para oferecer.


A nossa cobertura completa do festival pode ser conferida aqui. Fique ligado em nossas redes sociais para mais notícias!

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