Festival de Locarno 2021 | Dia #4

Chegamos no quarto dia de cobertura do Festival de Locarno! Partindo de “Rose”, uma comédia sobre uma mulher de 78 anos indo se encontrar consigo mesma, até o terror sanguinário inspirado na pandemia ” The Sadness”, o festival suíço mostra que não veio para brincadeira. Segue a lista dos filmes aqui falados: “Rose”, de Aurélie Saada; Hinterland, de Stefan Ruzowitzky; The Sadness, de Rob Jabbaz.

A cobertura completa do festival, com comentários de diversos outros filmes, pode ser conferida aqui. Soltaremos ainda uma review completa do filme Zeros and Ones, de Abel Ferrara, além de uma seleção das melhores produções do festival. Fiquem atentos!

ROSE (Aurélie Saada)

Rose © Cortesia de Locarno

Rose, de 78 anos, acaba de perder seu amado marido. Quando seu luto dá lugar a um poderoso impulso de viver a vida, fazendo-a perceber que ainda pode se redefinir como mulher, todo o equilíbrio da família fica abalado.

Em uma das sequências finais de Rose, a protagonista vira para seus familiares e revela o que sente: “Se eu viver assim, de forma desenfreada, machuca vocês… Eu paro. Mas eu não quero.” Prazeres momentâneos, que podem levar a ruína, mas que são bons demais para serem abandonados (principalmente quando você não sabe se vai ter um próximo momento para se arrepender). A direção é cafoníssima quando quer, mas Françoise Fabian consegue levar com classe um filme que parece querer carregar o peso do mundo nas suas costas.


HINTERLAND (Stefan Ruzowitzky)

Hinterland © Cortesia de Locarno

Viena, 1920. O Império Austro-Húngaro entrou em colapso. Peter Perg volta para casa da Grande Guerra, após anos como refém. Mas a Viena para onde ele voltou não se parece em nada com o lugar que ele conheceu. A nova República Austríaca prospera com a liberdade social e artística, mas movimentos antidemocráticos e o desemprego pairam sobre a cabeça da população. Um estranho em sua cidade natal, sua vida piora quando um de seus ex-companheiros é assassinado. De repente, as mortes misteriosas de veteranos começam a virar rotina. Ligado pessoalmente às vítimas, Perg decide levar o assassino à justiça. Ele encontra um aliado na fria médica forense Theresa Körner, com quem tem uma história mais profunda a ser revelada. Sua investigação os leva aos cantos mais sombrios da cidade, enquanto eles enfrentam um assassino brutal e sistemático e intrigas de dentro da força policial. Mas quando a rede do assassino se fecha em torno do próprio Perg, ele enfrenta o dilema moral de sua vida.

É meio difícil entender o que existe de certo e errado em Hinterland. A tentativa de representação da angústia interna através dos cenários a lá Méliès é louvável, porém a execução é tão artificial que parece mais um simples jogo referencial do que uma representação densa da dor e do caos. Não vou entrar na discussão a respeito da validade do CGI, mas é inegável que aqui ele está completamente insensível frente a dor dos homens apresentados. É um filme que pode funcionar para alguns, para quem conseguir mergulhar desde o início na dor desses homens machucados eternamente pela guerra. Para mim, é um filme de aparências incapaz de capturar ou traduzir qualquer tipo de emoção para a tela.


THE SADNESS (Rob Jabbaz)

The Sadness © Cortesia de Locarno

Um jovem casal é levado ao limite da sanidade enquanto tenta se reunir em meio ao caos de um surto de pandemia. As ruas explodem em violência e depravação, à medida que os infectados são levados a praticar as coisas mais cruéis e horríveis que se possa imaginar. Assassinato, tortura, estupro e mutilação são apenas o começo. A era da civilidade e da ordem não existe mais. Existe apenas “A Tristeza”.

Não é novidade que a violência pode e muitas vezes deve servir como um manifesto dentro do cinema. O novo filme de Rob Jabbaz, infelizmente, não demonstra qualquer alinhamento com essa perspectiva. Ao tratar a violência como uma série de checklists dentro do seu filme, o diretor esvazia qualquer ponto que o filme quer fazer – que ja é por si só fraquíssimo – e transforma tudo em um carnaval referencial sem o mínimo de originalidade. O pior é que o filme possui no máximo duas sequências que dá para considerar bem elaboradas, o resto é tão derivativo que dói. Se tem algo que ele consegue fazer bem, é fazer as pessoas tremerem de medo imaginando o nível dos filmes que devem surgir num mundo pós-pandemia.


A programação completa do festival pode ser conferida aqui. Fique ligado em nossas redes sociais para mais notícias!

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