Festival de Locarno 2021 | Dia #3

No terceiro dia da nossa cobertura do Festival de Locarno 2021, vimos duas produções brasileiras: A Máquina Infernal, de Francis Vogner dos Reis; Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli. E uma produção suíça: Soul of a Beast, de Lorenz Merz. Confira nossos comentários abaixo.

Não se esqueça de conferir a nossa cobertura completa do festival, com comentários de diversos outros filmes, aqui.

SOUL OF A BEAST (Lorenz Merz)

Pablo Caprez, Tonatiuh Radzi e Ella Rumpf em Soulf of a Beast (2021)

Nesse longa surrealista e selvagem, o pai adolescente Gabriel se apaixona pela enigmática Corey, namorada de seu melhor amigo Joel. Lorenz Merz diz que quando ”testemunhou o nascimento do seu filho e a morte dos meus amigos, uma sensação percorreu o seu corpo – como se vislumbrasse uma fenda repentina no céu vazio” e talvez aqui ele realmente conseguiu transmitir esse sentimento, mas não traduzir ele. O longa é barulhento, violento, sujo, não se importa com fórmula, com personagens perdidos nessa cidade escura, histéricos, imprevisíveis, que priorizam o carnal e que claramente está em paralelo com o simbolismo dos animais selvagens soltos e inseridos na narrativa: os jovens agem por instinto, seja ele sexual, violento, de proteger suas crias ou correr de tudo. Talvez Merz tenha tentado fazer comentários sobre a ”modernidade líquida”, confrontos com a polícia, paternidade precoce, mas é mais um arranhão de um gato doméstico do que de uma puma. Por bem ou por mal, o resultado do filme não poderia ser diferente: uma bagunça.


A MÁQUINA INFERNAL (Francis Vogner dos Reis)

Carolina Castanho em A Máquina Infernal (2021)

Um grupo de trabalhadores é assombrado por situações sinistras numa fábrica no Brasil. O terror do proletariado desarmado pelo meio que o cerca é tema do curta de Francis Vogner que faz de seu filme uma denúncia social sobre o assunto. As relações trabalhistas tem sido um tópico muito levantado pelo cinema nacional nos últimos anos em filmes como “Arábia”, “Que Horas Ela Volta?”, “A Sombra do Pai” e “Trabalhar Cansa” exemplificam esse retrato social que tem sido pintado. Em “Máquina”, o instrumento que antes engolia o trabalhador, agora o mata sem dó nem piedade através da dependência e precariedade do emprego daquelas pessoas. É uma obra sombria e eficiente com um olhar muito próprio para o assunto. Desde os barulhos inquietantes ao desespero dos personagens, tudo constrói uma história interessante que merece ser vista.


FANTASMA NEON (Leonardo Martinelli)

Dennis Pinheiro e Silvero Pereira em Fantasma Neon (2021)

Um entregador sonha em comprar uma moto e transformar sua vida infeliz em um musical animado e energético que trará paz para sua vida num Brasil desiludido e desamparado. Assim como em “Máquina”, o tema trabalhista é pintado novamente, mas através de ritmo e escapismo. A vida Invisível de diversos trabalhadores que vemos nas ruas em meio a pandemia tentando sobreviver num momento crítico do país é estudado aqui com músicas e pequenos diálogos sobre o cotidiano dessas pessoas. É um curta bem criativo sobre o tema e extremamente agridoce quanto a sua abordagem mesmo que pareça bobo em pensamento. Poderá o trabalhador ser realmente feliz no futuro? A resposta não parece esperançosa.


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