The Last Duel – Crítica

Dirigido por Ridley Scott e adaptado do livro de Eric Jager, com roteiro assinado por Nicole Holofcener, Ben Affleck e Matt Damon, The Last Duel (Com o título nacional de ‘O Último Duelo’) conta a história sobre o que acarretou o último duelo judicial oficialmente reconhecido na França. O ‘último duelo’ em questão, é o julgamento por combate de 29 de dezembro de 1386, no qual o cavaleiro normando Jean de Carrouges (Matt Damon) duelou contra o escudeiro Jacques Le Gris (Adam Driver) porque Carrouges acusou Le Gris de estuprar sua esposa Marguerite de Carrouges (Jodie Comer) em janeiro do ano anterior. Mas não se engane, não é tão simples ou curto assim.

O filme abre seu primeiro ato com ‘’baseado em eventos históricos’’ na tela e segue com uma estrutura de três atos: a verdade de Jean, a verdade de Le Gris e a verdade de Marguerite. ‘’A verdade de’’ de certa forma deixa implícito mudanças de perspectiva nos acontecimentos desse período de forma repetitiva, não é o que acontece aqui exatamente, mas sim o que cada um dos três passou até chegar no que aí sim vão se repetir três vezes. Como cada um age em certos eventos de acordo com as perspectivas têm grande impacto nesse, até certo ponto, quebra-cabeça da narrativa. Da verdade de Jean até a verdade de Le Gris, que ocupam setenta por cento do filme, tudo é contado como se você estivesse lendo sobre esse acontecimento histórico na internet, uma sequência atrás da outra, sem tensão ou peso emocional algum em curto prazo, podendo gerar até uma certa estranheza. Mas essas partes ainda não parecem desperdiçadas, são necessárias para compreender por completo como tudo se deu a acarretar o ‘último duelo’. Mas a sensação é de que Ridley estivesse montando esses eventos juntos para nos fazer de testemunhas num tribunal. E quando eu digo ‘’até certo ponto, quebra-cabeça’’ é porque na ‘’verdade de’’ que Ridley sugere, existe a noção de que essas perspectivas vão te fazer questionar os acontecimentos, mas não é o que acontece. Tudo é montado e conduzido de forma que Jean, Le Gris e Marguerite sejam, em essência, as mesmas pessoas nas três perspectivas, o que muda são somente os pequenos grandes gestos em eventos cruciais, dependendo do ponto de vista isso é positivo ou negativo, uma escolha criativa preguiçosa ou inteligente, mas que sem dúvida tem impacto a longo prazo.

Matt Damon e Jodie Comer em The Last Duel (2021)
© Disney

E sobre esse longo prazo, é impressionante como o longa consegue suceder no final (dou o mérito a Nicole Holofcener e Jodie Comer aqui) e fazer esse grande pedaço emocionalmente vazio do longa finalmente compensar na perspectiva de Marguerite, fazendo com que ela seja tudo que faltou no resto: tensa, visceral e emocionante. As palavras que anunciam que se Jean de Carrouges perder o duelo, sua esposa será queimada viva como punição por sua falsa acusação, ecoam na sala do tribunal e na do cinema.

Para os mais desinformados sobre o longa, talvez ele pareça mais como mais um épico medieval, ou uma narrativa feminista enraizada no Me Too, mas isso se deve ao fato de que o Me Too não é exatamente um período moderno, mas parte da nossa história desde antes do século XIV. Ridley e os roteiristas não modernizam a narrativa sanitizando tudo, mas deixam ela palpável e brutal, usando de todas essas ‘’verdades’’ para tratar, no final, sobre o masculino atemporal e a violência. Nada mais emblemático do que o marido de Marguerite sendo ovacionado enquanto ela fica pra trás, ofuscada e abalada. Não importa o resultado do duelo, ela sabe que o que aconteceu trouxe um dano irreversível.

Sem dúvidas o elenco é um grande mérito do longa funcionar, Adam Driver e Matt Damon como sempre entregando ótimas performances, Ben Affleck (ainda que pareça um pouco insensível dizer isso, mas faz sentido para o personagem) parece estar se divertindo como nunca, mas sem dúvidas o show é da incrível Jodie Comer. Ficaria surpreso de ver esse filme brilhar na temporada de premiações, principalmente porque o outro filme de Ridley Scott, House of Gucci, deve chamar mais a atenção dos votantes. Mas se tivesse que apostar em algo, diria Roteiro Adaptado, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante.

The Last Duel compensa sua longa minutagem num final impactante conduzido por Jodie Comer.

The Last Duel (O Último Duelo) estará nas salas dos cinemas brasileiros a partir do dia 14 de outubro.

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