Crítica – Ammonite

O novo longa do britânico Francis Lee (Reino de Deus), estrelado por Kate Winslet e Saoirse Ronan, conta a história de Mary Anning, uma paleontóloga, e seu relacionamento com uma jovem em um curto período de suas vidas. Embora Mary seja uma figura real, a história que o filme desenvolve é apenas um cenário imaginado pelo diretor e, através disso, ele trabalha seu frio romance.

Saoirse Ronan e Kate Winslet em Ammonite (2020), cortesia da Neon

A vida de Mary é retratada com pouca vivacidade: A sujeira dos fósseis, a vida solitária com a mãe e um contato enigmático com uma vizinha conhecida interpretada por Fiona Shaw. Reforçando esses elementos com uma paleta de cores apagada, o diretor nos entrega esse retrato da vida da introvertida mulher. Com a chegada da personagem de Saoirse Ronan, tudo promete mudar ou pelo menos ter uma pequena diferença, mas isso não acontece. A distante e boba figura interpretada por Saoirse se apaixona por Mary, e juntas formam uma ligação intima. O longa atrapalha-se ao tentar demonstrar esse afeto e união entre as personagens: Com pouca química entre as atrizes e um sentimento de frieza nesse romance, o diretor erra a mão e entrega uma relação quase inverossímil em diversos aspectos.

Kate Winslet sustenta essa obra ao criar uma personagem que pouco verbaliza seus sentimentos, mas os demonstra com olhares e expressões. Sem dúvidas será uma performance que terá reconhecimento nas futuras premiações. O mesmo não pode ser dito de sua parceira – Saoirse pouco tem material para entregar algo concreto e que demonstre seu talento.

Ammonite
Francis Lee e Kate Winslet no set de Ammonite (2020), cortesia da Neon

Existe uma certa atração pelo longa, mas trata-se mais de um encantamento pelo seu potencial do que pelo conteúdo entregue. No geral, Ammonite tenta expressar, em sua duração, um romance vívido, mas falha em simbolizar e demonstra-lo na tela, tendo que se escorar na sublime atuação de Winslet. Com poucos momentos de intimidade genuína e vida, Ammonite logo será esquecido, assim como os fósseis estudados por Mary Anning.

★★½

Chances

Podemos ver Kate Winslet em Melhor Atriz e talvez Saoirse Ronan em Melhor Atriz Coadjuvante, mas tanto as atrizes como o filme com certeza serão reconhecidos no BAFTA.
Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Previous post Crítica – The Trial of The Chicago 7
Next post Crítica – Nomadland